sábado, agosto 27, 2005

 

Deus salve o The White Stripes


Com oito anos de carreira, a dupla The White Stripes está melhor do que nunca. O novo disco do ex-casal Jack e Meg White, intitulado “Get Behind Me Satan”, é marcado pelo experimentalismo exacerbado, trazendo bons resultados e um novo álbum que restringiu as guitarras e partiu para arranjos mais criativos - com a utilização em maior escala de instrumentos como a marimba e o piano, em um clima retrô carregado de riffs.

“Get Behind Me Satan” é o quinto disco da dupla e é composto por 13 faixas. As surpresas já começam logo na primeira música do CD, chamada “Blue Orchid”, que além de ter uma atmosfera absolutamente hostil, é inteiramente vicejante. O videoclipe que foi produzido para esta canção reflete exatamente o vigor calmo da voz de um Jack White diferente, inserido em um ambiente satânico, como sugere o título do novo disco da dupla.

A nova e segunda música de trabalho de “Get Behind Me Satan” é a divertida “My Doorbell”. Nela, Jack se apresenta energético e Meg, como sempre, não passa de uma mera coadjuvante. O videoclipe foi dirigido pelos irmãos Malloys – os mesmos que dirigiram o vídeo de “Shut Up”, do The Black Eyed Peas”. Filmado inteiramente em preto e branco, Jack e Meg White tocam “My Doorbell” em um teatro para um público inteiramente infantil, que delira com a performance e os movimentos de Jack White.


“Get Behind Me Satan” revela ainda outras excelentes canções. Entre elas estão a melancólica “Forever For Her (Is Over For Me)”, a ritmada “Take, Take, Take” e a dançante “The Denial Twist”. Um aspecto que é bastante visível neste trabalho é a personalidade nata de Jack White. O The White Stripes tem por essência a genialidade deste cantor, que provou saber inovar em suas novas composições e ser muito bem sucedido em seu experimentalismo. Jack usou e abusou de arranjos mais lentos e diversificados, se comparado ao trabalho feito em álbuns anteriores, e é justamente aí que se encontra o (bom) felling da novidade.

Como se já não bastasse a excelente produção musical, a capa de “Get Behind Me Satan” é absolutamente enigmática. A composição proposta pelo seu criador sugere significados e referências ocultos. Há quem diga que as duas mãos que saem das cadeiras onde estão sentados Jack e Meg White, ligados pelo dedo indicador, demonstre uma referência direta à pintura de Botticelli, em A Capela Sistina. Outros ainda dizem que o encontro dos indicadores revelaria uma ligação entre forças opostas, sendo estas representadas pelas cadeiras posicionadas de modo contrário uma a outra. Outro enigma interessante é a maça branca que Meg White segura. Seria esta uma referência ao pecado original e a Adão e Eva? Ninguém sabe (ainda).

*Fotos retiradas do site oficial do The White Stripes.

sábado, agosto 20, 2005

 

Quino presenteia o Brasil


O terceiro trabalho da banda Afrodizia “Mutação” lançado pela gravadora Marine Music, a mesma dos cd “Todas as Tribos” e o internacional “Peace”, está bem cotado no país e até no exterior, onde a banda recebeu boas críticas da conceituada revista The Beat. As 15 canções inéditas do cd trazem princípios rastas, como a exaltação de Jah, além da defesa do amor, paz e a liberdade dos povos. A interpretação do vocalista Daniel pode soar um tanto quanto “pop” aos ouvidos de quem está acostumado a ouvir os timbres graves dos grandes cantores do gênero, mas a banda esbanja desenvoltura em sua interpretação das letras escritas pelo baterista Tony Sheen. Seguindo a tendência das novas, e boas, bandas brazucas conta ainda com a voz feminina de Priscilla, além da boa instrumentalização de Breno, Cintura e Sheen.

O último cd da banda paranaense defende o desenvolvimento do reggae brasileiro sem perder a essência do ritmo na sua raiz jamaicana. Com participações especiais de Bruno Dourado (Natiruts) percussão em Batacotô, Da Lua (Maria Rita) percussão em África, Rodolpho “Xaba” (Djmabi) em Força da Paz além da importante participação do respeitável Quino (Big Mountain) em Regueiro de Jah.


O integrante da banda jamaicana fez sua gravação no estúdio em Los Angeles, Califórnia, enquanto a jovem banda fez a gravação do cd em São Paulo, onde a música foi finalizada, e as vozes de Daniel e Quino finalmente formaram a canção. A música defende que o reggae está presente nos mais diversos locais levando sua mensagem positiva, e termina com a impagável saudação do jamaicano “muito respeito hermanos”. A gravação do primeiro clipe de “Mutação” aconteceu nos últimos dias 28 e 29 de julho em Curitiba. Quino ainda participou, junto com o Afrodizia, do encerramento do festival de Inverno de Itanhaém, litoral sul de São Paulo, onde cantaram os maiores sucessos do Big Mountain e dos paranaenses.

Entre as músicas do novo cd estão Skancarando Tudo, que foi tema do verão 2004 da Rede Paranaense de Televisão, e ainda Guetos, que está entre as músicas mais executadas de programas de reggae no Brasil.

Para quem quiser mais informações sobre a banda, basta acessar o Site Oficial do Afrodizia.

*Texto de Tatiane Salvático

*Fotos retiradas do site da banda Afrodizia

sábado, agosto 13, 2005

 

Norah e The Handsome Band convidam: "Come Away With Me"


Gravado no dia 24 de agosto de 2002, no The House Of Blues (New Orleans), o DVD “Norah Jones – Live In New Orleans” figura como uma obra prima, indispensável em qualquer coleção de grandes clássicos contemporâneos.

A premiada cantora canta, juntamente de sua banda, “The Handsome Band”, todo o seu repertório de seu primeiro álbum “Come Away With Me”, que foi considerado o álbum do ano de 2002, com toda a sonoridade e encantamento proporcionados por sua voz e pelo ritmo suave de suas canções. A grande surpresa do espectador fica por conta da potência da voz de Norah Jones, uma vez que ela realmente impressiona com seu talento musical nato, demonstrando-se uma verdadeira cantora, na essência da palavra.

No início da apresentação, Norah Jones aparenta ser um tanto antipática e seca, não conversando com o público, apenas cantando suas canções. Contudo, no decorrer do espetáculo ela se descontrai, e oferece ao público inúmeras gargalhadas, o que aproxima, sem dúvida, o palco dos espectadores, transformando o ambiente em algo mais familiar e apreciável.


Dentre todas as canções que foram apresentadas, os destaques ficam para “What I Am To You?”, “Painter Song”, “Lonestar”, “I’ve Got To See You Again”, “Bessie Smith” e a envolvente “Don’t Know Why”, que foi o maior e mais premiado hit já lançado por Norah.
O show é, sem dúvida, dotado de altíssima qualidade e destaques. Foi dirigido por Jim Gabour, e o DVD ainda trás como extras o videoclipe da canção “Come Away With Me” e a performance de “Tennessee Waltz” como faixa especial, gravada no mesmo “The House Of Blues”.

Trata-se, absolutamente, de um arquivo indispensável de uma das melhores e mais premiadas cantoras da atualidade.

*Fotos retiradas dos sites JazzWise e Megéras Magérrimas

sábado, agosto 06, 2005

 

Soulmates never die

Para os fãs de Placebo no Brasil certamente esse ano foi o melhor. Depois de muito esperar, a banda britânica resolveu fazer uma turnê pela América Latina, começando no México, passando pela Argentina e Chile e terminando com oito apresentações no Brasil.
Felizmente pude assistir à performance do trio em Florianópolis no dia 21 de abril, espremida na segunda fileira, em estado de êxtase total. Quem chegou mais cedo, assim como eu, também pôde escutar a passagem de som, o que foi deveras emocionante.


O repertório foi da primeira coletânea da banda, "Once More with Feeling – Singles 1996-2004", lançada pela EMI em CD e DVD. Além dos três músicos no palco, também havia o tecladista Xav – que sempre acompanha a banda nas turnês e foi devidamente apresentado pelo vocalista Brian Molko. Grande parte das canções foi tocada próxima das originais como “Taste in Men”, “English Summer Rain” e “The Bitter End”. Já “36 Degrees” teve uma versão mais lenta e na baladinha “Teenage Angst”, Molko perguntou em inglês se as pessoas estavam satisfeitas, tendo respostas afirmativas e negativas. Mas foi na música “Special K” e “Every you, Every me” que todos pularam muito, de maneira histérica praticamente.

Se uma grande parte dos fãs esperavam por um visual andrógino de Molko, com certeza se decepcionaram. O vocalista, além de bastante lacônico com a platéia, usava a roupa de praxe na turnê por aqui: blusa branca com gravata preta, calça jeans e o bom e velho lápis preto nos olhos azuis cristalinos. Quem surpreendeu mesmo foi o baixista Stefan Oldsal, que trajava um colete purpurinado, calça preta e rebolava bastante, interagindo com os fãs. E o baterista Steve Hewitt tocou com maestria. A banda acabou o show (para tristeza geral) com ‘Nancy Boy’ e saiu ovacionada pelo público catarinense. Com certeza, quem foi nesse show de Floripa (e nos demais) sentiu a energia boa e o talento amadurecido de Brian Molko e cia. Perfeito!

*Fotos de Fábio Mergulhão

This page is powered by Blogger. Isn't yours?