sábado, novembro 26, 2005

 

Fé na pista


O estilo proposto por Madonna para compor o arsenal das novas canções, que constituem “Confessions On A Dance Floor”, é bem diferente do que ela já gravou até então. Trata-se de um trabalho voltado para músicas bastante ritmadas, com batidas fortes e dançantes, próprias de festas de casas noturnas. Segundo a própria cantora, a intenção que se tinha era de gravar um CD que fizesse todos dançarem, sem deixar ninguém entediado nas cadeiras. Ela obteve o seu objetivo, mas apenas parcialmente. A parceria com Stuart Price, famoso por suas produções na música eletrônica, deu boas batidas para o novo álbum da cantora, o 12º álbum da carreira de Madonna. Mas, no entanto, não deu à maioria das canções os requisitos necessários para torná-las dançantes de fato.

“Confessions On A Dance Floor” é composto por 12 faixas e tem, aproximadamente, 55 minutos de duração. As canções, em sua grande maioria, levam o ouvinte de volta às discotecas dos anos 70 e 80, com a finalidade de resgatar o estilo musical da época. Esse retrocesso, no entanto, faz-se em meio a uma mistura muito bem-vinda: o estilo dance de 20-30 anos atrás com as atuais batidas eletrônicas.

Uma outra característica interessante do novo CD é que não há pausa de silêncio entre as músicas. O andamento e a passagem de uma faixa para outra é ininterrupto, como fez Madonna, em 1987, no disco “You Can Dance”. Dentre as novas músicas – todas inéditas – há pontos altos e, também, pontos baixos. O novo trabalho não é o mais memorável da carreira de Madonna, apesar de ser consideravelmente interessante.

A lista de músicas do CD começa com a estonteante - e melhor canção de todo o álbum - “Hung Up”. Não é à toa, inclusive, que esta será a primeira música de trabalho de “Confessions On A Dance Floor”. Ultrapassando cinco minutos de duração, a primeira canção do álbum é o maior marco da viagem pelos anos 80, década na qual o estilo que impera na canção – à la Abba - foi sucesso e modismo entre os jovens da época. O primeiro single já está sendo executado nas rádios brasileiras e, certamente, irá tocar cansativamente em casas noturnas de todo o país.


Um outro ponto alto são as faixas “Sorry”, “I Love New York” e “Isaac”. As duas primeiras são realmente excelentes no quesito melodia e letra, que ornam harmoniosamente em uma composição que, sem dúvida alguma, será um grande sucesso nas rádios e festas, caso sejam elas as próximas músicas de trabalho de “Confessions On A Dance Floor” – o que é provável. Já “Isaac” é a única faixa que difere de todas as outras, e justamente por isso, torna-se um dos destaques do CD. Com um ritmo menos badalado, a canção se inicia com um canto árabe, em voz masculina, que se estende por toda a faixa, incluindo o refrão. Provavelmente uma dedicatória de Madonna a sua já declarada paixão ao povo árabe.

“Future Lovers” traz forte na melodia as batidas eletrônicas, assim como acontece também em “How High”. A primeira, no entanto, se aproxima mais do estilo hoje seguido por Kylie Minogue desde o seu bem sucedido álbum “Fever”, em um misto de música eletrônica e pop. “How High” vai um pouco além disso, tendo uma base mais sólida somente na música eletrônica, além de trazer de volta a voz de Madonna eletrizada, como no sucesso “Music” (2001), quando ela canta o famoso “would you like to boggie woogie?”

O momento menos memorável de “Confessions On A Dance Floor” é a décima primeira faixa, “Push”. A primeira e principal razão é que ela não desperta atratividade alguma de ser ouvida novamente após a primeira vez. Possui uma letra fraca, um refrão desanimador, além de uma melodia que vai e volta em um ritmo entediante. Além deste fator, há um outro que também contribui em muito para que Madonna não atinja o seu objetivo proposto aos fãs: “Confessions On A Dance Floor” migra, diversas vezes, do ritmo e das batidas eletrônicas dançantes para o pop comum e mais calmo. Isso acontece principalmente na música “Like It Or Not” e na introdução – muitas vezes longa – de várias outras, como “Get Together”, “Jump” e “Let It Will Be”. Para aqueles que achavam que o novo CD traria uma excelente seleção que faria todos dançarem, pode haver decepção com músicas menos animadas.

*Fotos retiradas do site oficial de Madonna e do portal iTunes.

sábado, novembro 12, 2005

 

Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça...


A Nação Zumbi tem o Mangue como origem de sua particularidade. O movimento resgatou a antropofagia cultural, e incentivou a juventude brasileira, nos anos 90, na transformação social. A idéia transmitida era: “Se o mundo está ruim, mudemos o mundo”. A atividade Mangue no Recife foi política sem aliança com os políticos. A cidade tornou-se berço do movimento, que deu nova cara e nova identidade cultural a Recife. Com isso, a capital pernambucana foi transformada em capital do pop brasileiro, para surpresa de muitos.

A CSNZ (Chico Science e Nação Zumbi) surgiu da fusão de duas bandas que já existiam em Recife, Loustaf, da qual Chico Science fazia parte, e Lamento Negro, bloco afro de Gilmar Bolla 8. O início da Nação se deu quando Chico Science e Jorge du Peixe faziam escola na Legião Hip Hop, guangue de grafite, break dance e rap. Lúcio e Dengue demonstravam ser alunos aplicados da lição do "faça você mesmo" do punk e do trash. Gilmar, Canhoto e Gira participaram de um bloco afro pioneiro (outro curto-circuito cultural, o do samba-reggae). Toca era mestre nos terreiros de Xangô. Depois ainda entrou a bateria surpreendente de Pupilo. A mistura que deu certo de maracatu rural, jungle, afro-beat, coco dub, sampler, baião ambiental, teoria do caos, filosofia pós-cangaço, cyberpunk guitarras funk psicodélicas e letras inspiradas foram os ingredientes para formar a Nação Zumbi.

A mistura com o maracatu caiu no gosto jovem. Com as infinitas conexões de ritmos realizadas pela banda, o som da Nação firmou-se como um "provedor celestial". A batida marcante da forte percussão é única é de uma energia inconfundível. Para quem já assistiu a uma apresentação dos pernambucanos, o elogio a performance se torna redundante. A vibração da música parece entrar no corpo das pessoas, que ficam tomadas por algo muito forte e dominador. É inexplicável e emocionante.


O vocalista Jorge du Peixe assumiu o posto deixado por Chico Science em 2000, quando o idealizador do movimento Mangue Beat foi vítima fatal de um acidente de automóvel, deixando uma geração inteira de mangueboys e manguegirls órfãos.

O primeiro disco da Nação Zumbi totalmente independente Rádio S.AMB.A (2000) contou com participações especiais de Zé Gonzáles, DJ Nutz, do trombonista Bocato, Fred Zero Quatro e do grupo Tortoise. Destaque para as faixas Jornal da Morte e Brasília, as mais pesadas do disco. Em 2002, o grupo assinou com a gravadora Trama e gravou um álbum intitulado apenas Nação Zumbi. Com produção de Arto Lindsay e mixagem de Scott Hard. O trabalho foi muito bem aceito na mídia, e faixas como Amnésia Expresss, Faz Tempo e O Fogo Anda Comigo mostram toda a diversidade da Nação Zumbi.

O novo disco da Nação, intitulado Futura (2005), segundo Thiago Ney, da Folha de S. Paulo, "O trunfo da Nação Zumbi é que, antes de abrasileirar - e, por conseqüência, descaracterizar - o que vem de fora, eles universalizam as próprias referências - as canções ganham corpo, personalidade". Vale a pena conferir a faixa 12 do novo disco, uma homenagem feita por Jorge du Peixe a Che Guevara que permaneceu na gaveta e não pode ser lançado nos dois últimos CDs da banda.

Clique aqui para ir para o site oficial da banda.

*Fotos retiradas dos sites Terra e Taste Of Indie.

sábado, novembro 05, 2005

 

Mundo, preste atenção!



Que o funk carioca está famoso pelo Brasil inteiro não é novidade para ninguém. E não pense que é só a Tati Quebra-Barraco que vive do funk. Lá fora esse estilo é muito bem representado pela cingalesa, Maya Arulpragasam. Antes de mostrar a trajetória da moça de 28 anos que está dando o que falar é necessário esclarecer que: M.I.A (pronuncia-se em.ai.êi) são as iniciais do projeto Missing In Action, alguns pronunciam Maya (seu nome verdadeiro) o que também está certo. Ok, esclarecido.

Vamos lá: M.I.A tem algumas coisas em comum com as funkeiras brasileiras. Ela é de origem bastante humilde. Nascida no Sri-Lanka, antigo Ceilão, aos dez anos mudou-se com sua mãe, irmã e irmão para Grã-Bretanha. Por motivos de segurança, M.I.A nunca conheceu seu pai, um dos membros fundadores do grupo guerrilheiro Tigres Tâmeis. Por conta de sua origem, M.I.A mantém em suas letras um tom mais politizado. Em uma entrevista, a cantora conta que na letra de Sunshowers ("Eles o encurralaram e simplesmente o assassinaram”) sem querer antecipa o episódio injusto da morte do brasileiro Jean Charles de Menezes pela polícia de Londres. Tirando essa triste coincidência, outra coisa liga M.I.A ao Brasil.

Em uma das faixas do seu álbum de estréia lançado este ano (Arular), Bucky Done Gun, tem um trecho sampleado do funk “Injeção”, da Deise Tigrona. O DJ brasileiro Malboro ajudou a remixar a música e aprovou a versão. Na música o Brasil também é citado: “Brasil, preste atenção. Eu preciso fazer um som”. O álbum foi produzido pelo DJ e namorado Diplo.

Além de música, M.I.A dedica-se também à arte. Ela estuda artes plásticas no Central Saint Martins College Of Art and Design, em Londres e toda arte do seu álbum foi feito por ela.

Para M.I.A o funk carioca é uma das coisas mais poderosas que ela já escutou e que melhor representa o som vindo dos guetos. A cantora gosta tanto do Brasil que fez duas apresentações no Tim Festival nos dias 22 e 23 de outubro, no Rio e São Paulo respectivamente. No show, M.I.A contava com um DJ no toca-discos e uma backing vocal que chamava atenção pela dança bem estilo “cachorrona”, mesmo assim o público não estava muito empolgado. Com a entrada da funkeira Deise Tigrona na música Bucky Done Gun, o público ficou mais animado e tudo virou um grande baile funk carioca. Uma mão lava a outra.

Depois dos shows pelo Brasil, M.I.A resolveu ficar por mais um mês e já visitou algumas favelas no Rio de Janeiro. O single Galang já está rodando em diversos países e fazendo grande sucesso. É, pelo visto o funk carioca caiu no gosto dos gringos e está prestes a dominar o mundo.

*Foto retirada do site Niral Magazine

quarta-feira, novembro 02, 2005

 

Especial - Alanis Morissette


Com 31 anos de idade e após ter lançado nove álbuns, Alanis Morissette tem todos os motivos do mundo para compor uma excelente coletânea. E já não era tarde. No próximo dia 15 de novembro, será lançado em nível mundial o CD “Alanis Morissette – The Collection”, que trará em um único álbum os grandes sucessos da cantora e mais algumas novidades em 19 faixas que compõe o novo trabalho.

Alanis mal aproveitou o frisson que o seu último álbum – “Jagged Little Pill Acoustic” – causou no público e já está pronta para o lançamento de outro. Para os fãs, tamanha produtividade é muito bem-vinda e para aqueles que ainda não conhecem o trabalho da cantora – que já pendura por mais de dez anos – está será uma ótima oportunidade para se inteirar de todos os seus sucessos.


“The Collection” é composto por 19 faixas, sendo uma delas inédita, nove em versões editadas ou mixadas, quatro advindas de trilhas sonoras e o restante, nas versões originais de lançamento. O disco abre a primeira faixa justamente com a canção inédita, um cover de Alanis para a música “Crazy”, de Seal. A equipe CONEXO teve a oportunidade de ouvir a versão de Alanis para a música e o resultado realmente surpreendeu. A novidade está no fato de que a música foi mixada por James Michael, o que deu um aspecto um tanto dançante para a música. Segundo o site oficial da gravadora da cantora – Maverick – será também lançado um single para a versão alaniana de Crazy, que incluirá também remixes para as canções “So Pure” – do quarto álbum de Alanis, “Supposed Former Infatuation Junkie” -, “Eight Easy Steps” – do álbum “So Called-Chaos” -, e “Crazymix”, que será uma canção que reunirá em apenas uma, doze dos grandes sucessos de Alanis (espécie de megamix).

Das canções de Alanis que foram partes integrantes de trilhas sonoras cinematográficas, temos quatro músicas em “The Collection”. Uma delas, e a mais famosa, é “Uninvited”, do filme “Cidade dos Anjos” (City Of The Angels), que virá em versão mixada por Chris Lord-Alge. “Still” do filme “Dogma”, assim como “Mercy” do filme “Prayer Circle” também estão na coletânea da cantora nas versões originais de lançamento. Para fechar o quadro, há, na última faixa do CD, a música “Let’s Do It (Let’s Fall In Love)” do filme “De-Lovely”.

Apesar de ser uma coletânea muito bem composta, a seleção musical privilegiou alguns b-sides de Alanis, como "Sister Blister" e "Simple Together" - do álbum "Feast On Scraps" - e baniu algumas outras canções de muito sucesso da cantora, como "So Pure" (que não entrou na seleção oficial do "The Collection", ficando somente no single de "Crazy"), "Unsent" - ambas de "Supposed Former Infatuation Junkie - e "Precious Illusions" - de "Under Rug Swept" -, o que, de certa forma, é incomum.

Para felicidade dos fãs – e minha, inclusive -, o CD contará com uma faixa multimídia especial que irá mostrar um pouquinho dos bastidores da produção de “The Collection”, com comentários de Alanis, além de um link secreto para assistir ao clipe de “Crazy” e ouvir o megamix “Crazymix”.


E não pára por aí. Será lançado também, uma versão limitada de “The Collection” que incluirá um DVD. Este DVD trará um documentário de 1 hora de duração sobre Alanis Morissette, com performances ao vivo, além de clipes que não foram lançados. Novidades para dar e – ou só - vender.

Para quem sentiu friozinho na barriga e ficou interessado em saber mais sobre o álbum, segue abaixo a lista final das músicas que irão compor o tão esperado – e de inesperado lançamento – “The Collection”:

01. Crazy [James Michael Mix]
02. You Oughta Know [The Jimmy The Saint Blend Clean Version]
03. Hands Clean [Radio Edit]
04. Eight Easy Steps [Radio Edit]
05. You Learn
06. Uninvited [Chris Lord-Alge Mix]
07. Thank You
08. Everything [Chris Lord-Alge Mix/Clean Radio Edit]
09. Head Over Feet
10. So Unsexy [Vancouver Sessions – Chris Lord-Alge Mix]
11. That I Would Be Good [Chris Lord-Alge Mix]
12. Ironic
13. Princes Familiar [MTV Unplugged – Chris Lord-Alge Mix]
14. Hand In My Pocket [Radio Edit – Jagged Little Pill Acoustic]
15. Still
16. Sister Blister
17. Simple Together
18. Mercy
19. Let’s Do It (Let’s Fall In Love)

*Mais informações sobre o novo álbum de Alanis Morissette - "The Collection" - no site My Space - Alanis Morissette e Maverick.

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