sábado, novembro 12, 2005

 

Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça...


A Nação Zumbi tem o Mangue como origem de sua particularidade. O movimento resgatou a antropofagia cultural, e incentivou a juventude brasileira, nos anos 90, na transformação social. A idéia transmitida era: “Se o mundo está ruim, mudemos o mundo”. A atividade Mangue no Recife foi política sem aliança com os políticos. A cidade tornou-se berço do movimento, que deu nova cara e nova identidade cultural a Recife. Com isso, a capital pernambucana foi transformada em capital do pop brasileiro, para surpresa de muitos.

A CSNZ (Chico Science e Nação Zumbi) surgiu da fusão de duas bandas que já existiam em Recife, Loustaf, da qual Chico Science fazia parte, e Lamento Negro, bloco afro de Gilmar Bolla 8. O início da Nação se deu quando Chico Science e Jorge du Peixe faziam escola na Legião Hip Hop, guangue de grafite, break dance e rap. Lúcio e Dengue demonstravam ser alunos aplicados da lição do "faça você mesmo" do punk e do trash. Gilmar, Canhoto e Gira participaram de um bloco afro pioneiro (outro curto-circuito cultural, o do samba-reggae). Toca era mestre nos terreiros de Xangô. Depois ainda entrou a bateria surpreendente de Pupilo. A mistura que deu certo de maracatu rural, jungle, afro-beat, coco dub, sampler, baião ambiental, teoria do caos, filosofia pós-cangaço, cyberpunk guitarras funk psicodélicas e letras inspiradas foram os ingredientes para formar a Nação Zumbi.

A mistura com o maracatu caiu no gosto jovem. Com as infinitas conexões de ritmos realizadas pela banda, o som da Nação firmou-se como um "provedor celestial". A batida marcante da forte percussão é única é de uma energia inconfundível. Para quem já assistiu a uma apresentação dos pernambucanos, o elogio a performance se torna redundante. A vibração da música parece entrar no corpo das pessoas, que ficam tomadas por algo muito forte e dominador. É inexplicável e emocionante.


O vocalista Jorge du Peixe assumiu o posto deixado por Chico Science em 2000, quando o idealizador do movimento Mangue Beat foi vítima fatal de um acidente de automóvel, deixando uma geração inteira de mangueboys e manguegirls órfãos.

O primeiro disco da Nação Zumbi totalmente independente Rádio S.AMB.A (2000) contou com participações especiais de Zé Gonzáles, DJ Nutz, do trombonista Bocato, Fred Zero Quatro e do grupo Tortoise. Destaque para as faixas Jornal da Morte e Brasília, as mais pesadas do disco. Em 2002, o grupo assinou com a gravadora Trama e gravou um álbum intitulado apenas Nação Zumbi. Com produção de Arto Lindsay e mixagem de Scott Hard. O trabalho foi muito bem aceito na mídia, e faixas como Amnésia Expresss, Faz Tempo e O Fogo Anda Comigo mostram toda a diversidade da Nação Zumbi.

O novo disco da Nação, intitulado Futura (2005), segundo Thiago Ney, da Folha de S. Paulo, "O trunfo da Nação Zumbi é que, antes de abrasileirar - e, por conseqüência, descaracterizar - o que vem de fora, eles universalizam as próprias referências - as canções ganham corpo, personalidade". Vale a pena conferir a faixa 12 do novo disco, uma homenagem feita por Jorge du Peixe a Che Guevara que permaneceu na gaveta e não pode ser lançado nos dois últimos CDs da banda.

Clique aqui para ir para o site oficial da banda.

*Fotos retiradas dos sites Terra e Taste Of Indie.

Comments:
NZ sem CS já era.
 
Postar um comentário



<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?