sábado, novembro 05, 2005

 

Mundo, preste atenção!



Que o funk carioca está famoso pelo Brasil inteiro não é novidade para ninguém. E não pense que é só a Tati Quebra-Barraco que vive do funk. Lá fora esse estilo é muito bem representado pela cingalesa, Maya Arulpragasam. Antes de mostrar a trajetória da moça de 28 anos que está dando o que falar é necessário esclarecer que: M.I.A (pronuncia-se em.ai.êi) são as iniciais do projeto Missing In Action, alguns pronunciam Maya (seu nome verdadeiro) o que também está certo. Ok, esclarecido.

Vamos lá: M.I.A tem algumas coisas em comum com as funkeiras brasileiras. Ela é de origem bastante humilde. Nascida no Sri-Lanka, antigo Ceilão, aos dez anos mudou-se com sua mãe, irmã e irmão para Grã-Bretanha. Por motivos de segurança, M.I.A nunca conheceu seu pai, um dos membros fundadores do grupo guerrilheiro Tigres Tâmeis. Por conta de sua origem, M.I.A mantém em suas letras um tom mais politizado. Em uma entrevista, a cantora conta que na letra de Sunshowers ("Eles o encurralaram e simplesmente o assassinaram”) sem querer antecipa o episódio injusto da morte do brasileiro Jean Charles de Menezes pela polícia de Londres. Tirando essa triste coincidência, outra coisa liga M.I.A ao Brasil.

Em uma das faixas do seu álbum de estréia lançado este ano (Arular), Bucky Done Gun, tem um trecho sampleado do funk “Injeção”, da Deise Tigrona. O DJ brasileiro Malboro ajudou a remixar a música e aprovou a versão. Na música o Brasil também é citado: “Brasil, preste atenção. Eu preciso fazer um som”. O álbum foi produzido pelo DJ e namorado Diplo.

Além de música, M.I.A dedica-se também à arte. Ela estuda artes plásticas no Central Saint Martins College Of Art and Design, em Londres e toda arte do seu álbum foi feito por ela.

Para M.I.A o funk carioca é uma das coisas mais poderosas que ela já escutou e que melhor representa o som vindo dos guetos. A cantora gosta tanto do Brasil que fez duas apresentações no Tim Festival nos dias 22 e 23 de outubro, no Rio e São Paulo respectivamente. No show, M.I.A contava com um DJ no toca-discos e uma backing vocal que chamava atenção pela dança bem estilo “cachorrona”, mesmo assim o público não estava muito empolgado. Com a entrada da funkeira Deise Tigrona na música Bucky Done Gun, o público ficou mais animado e tudo virou um grande baile funk carioca. Uma mão lava a outra.

Depois dos shows pelo Brasil, M.I.A resolveu ficar por mais um mês e já visitou algumas favelas no Rio de Janeiro. O single Galang já está rodando em diversos países e fazendo grande sucesso. É, pelo visto o funk carioca caiu no gosto dos gringos e está prestes a dominar o mundo.

*Foto retirada do site Niral Magazine

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