sábado, janeiro 28, 2006

 

Moda nem tão descartável assim

Continuando com as bandas oitentistas que adoro, vamos com Depeche Mode dessa vez.

Depeche Mode (moda descartável – nome tirado de uma revista francesa) teve início no ano de 1976, em Basildon (Inglaterra) quando os amigos Andrew Fletcher (baixo) e Vince Clarke (teclado) resolveram montar uma banda chamada “No Romance In China” que durou até 1979. Mesmo com o curto e fracassado período da banda, Vince não desistiu da música e juntou-se a Martin Gore (guitarra) formando a dupla “French Look”. Fletcher uniu-se novamente com Gore (e Vince) e formaram o grupo “Composition of Sound”, sendo Vince o vocal da banda. Em 1980, o cantor David Gahan é chamado e a banda troca o nome para Depeche Mode. Está pronta uma banda que até hoje surpreende pelo som synth pop. Em 1981, eles lançam o Speak & Spell que faz um grande sucesso nas paradas britânicas, porém nem tudo são flores e o principal compositor da banda, Vince Clarke para sair da banda, junta-se com a cantora Alison Movet e criam o Yazoo (depois vira Erasure).

Com a saída de Vince, quem vira o compositor da banda é Martin Gore e em 1982 saí o álbum “A Broken Frame”. A formação final da banda, que é até hoje é composta pelo guitarrista Martin Gore, o tecladista Andrew Fletcher e o vocalista Dave Grahan. Para acompanha-los nas turnês, a banda decide chamar o tecladista e pianista, Alan Wilder que ao mostrar tamanha competência foi chamado para ser um integrante definitivo do grupo.

Vamos dar um espaço de dez discos e falar direto do álbum que fez mais sucesso, o Violator. Foi lançado em 23 de março de 1990 e tinha como produtor, Flood (que trabalhou com U2, Erasure). O álbum embalou hits como a belíssima Enjoy the silence, a controversa Personal Jesus (regravada em 2004 pelo Marilyn Manson) que logo na primeira semana já faziam parte das paradas européias e americanas. No Brasil, os hits Enjoy the Silence e Policy of Truth tocavam sem parar nas rádios Jovem Pan e Transamérica. Com esse álbum, a banda consegue passar por cima de artistas já consagrados como U2, Madonna e Michael, tornando-se um dos maiores sucessos e também inspirando novos artistas da música synth pop. Além das músicas já citadas, também faziam parte do álbum Violator: Halo, World in my Eyes, Sweetest Perfection, Waiting for the Night, Blue Dress e Clean. Com todo já referido – sucesso, a banda parte para uma turnê bem sucedida e quase vem parar aqui no Brasil, mas precisamente no Rock in Rio II. Depois do trabalho intenso para divulgar Violator a banda faz um intervalo de 3 anos.

Depois do retorno, eles lançam em 93, “Songs of faith and devotion” que deixam alguns fãs do grupo assustados pelo simples fato da ausência de sintetizadores, trazendo de volta a guitarra e a bateria. O tecladista/pianista Alain deixa a banda para ficar por conta do seu projeto solo “Recoil”. Depois de alguns problemas dos integrantes com drogas, a banda volta em 1997 com o disco Ultra.

È importante comentar que no ano de 1994, Depeche Mode veio ao Brasil. Com mais três mil pessoas na casa de shows Olympia, os fãs se deliciaram com o som maravilhoso, o telão gigante que substituiu as 11 telas de vídeo que faziam parte da primeira etapa da “Devotional Tour”. A turnê já foi transformada em DVD e mostra tudo em detalhes.

Em 1998 é lançado a compilação intitulada “The Singles 86-98” que possuía o novo single Only When I Lose Myself. Já em 2001, “Exciter” sai com quatro singles. Nesse ínterim a banda vai lançando algumas coletâneas, vídeos e dvd’s. David Grahan lança seu primeiro disco solo, “Paper Monsters” que é influenciado pelo rock, blues e gospel.

Mais recentemente, em 2004, Grahan lança o DVD “Paper Monsters Live” que contém todas as faixas do seu álbum, incluindo também alguma coisa do Depeche Mode. No mesmo ano, o grupo lança a edição especial em DVD que já foi citado, Devotional. O álbum duplo Remixes 81-04 também é lançado e tem participação especial de Mike Shinoda (do Linkin Park) que ajudou em uma nova versão de Enjoy the Silence, com direito a clipe e single.

Em outubro de 2005, a banda deu um presente para os fãs e lança Playing The Angel. Desde de Exciter a banda não lançava nada novo, e Palying logo fez um grande sucesso. A banda já saiu em turnê com o álbum novo, e ao que tudo indica tem uma grande possibilidade deles passarem pelo Brasil mais uma vez.

Depeche Mode é uma banda que fez e faz uma grande diferença no cenário synth pop e mais do que nunca merece um grande respeito dos fãs ou não-fãs. Afinal de contas, não é qualquer um que vende 50 milhões de cópias pelo mundo, acumula 38 singles e tem 13 álbuns, sendo que 10 destes estiveram na lista de mais vendidos. Isso tudo com 25 anos de estrada.

Discografia completa:

.Speak & Speel - 81
.A Broken Frame - 82
.Construction Time Again - 83
.People Are People - 84
.Some Great Reward - 84
.The Singles 81-85 - 85
.Catching Up With Depeche Mode - 85
.Black Celebration - 86
.Music For The Masses - 87
.101 - 89
.Violator - 90
.Songs Of Faith and Devotion - 93
.Songs Of Faith and Devotion Live - 93
.Ultra - 97
.The Singles 86-98 -98
.The Singles 81-85 - 99
.Exciter - 01
.Remixes 81-04 - 04
.Playing The Angel -05

Adendo: Synth Pop - é um estilo de música que utiliza sintentizadores e teclados. Muito comum em bandas da época do anos 80. As principais do synth pop são o Depeche Mode, Pet Shop Boys, Simple Minds e Ultravox.

Fotos Retiradas do FBI.lv

sábado, janeiro 14, 2006

 

Polêmica e ousada


Que Madonna sempre foi polêmica e ousada, ninguém discorda. Sua carreira, que já comporta 22 anos, passou por diversas fases, que variaram entre os pontos de uma mulher sexualmente liberta e sensual (a ponto de figurar a libertinagem para alguns) até a Madonna envolvida com a Cabala e bem mais espirituosa.

O álbum “Erotica” foi um dos pontos mais altos da carreira da cantora no quesito “polêmica”. O disco foi lançado em 1992, juntamente de um livro, chamado “Sex”, e do filme “Corpo em Evidência”. Madonna caminhava rumo ao cume da maior ousadia de sua carreira, que não foi bem aceita pelo público em geral – diga-se de passagem.

“Erotica” fala sobre sexo, amor, desilusões, mentiras e hipocrisias numa época em que muitas das coisas relacionadas a sexo ainda eram um grande tabu. No início da década de 90, a Aids era uma das maiores preocupações de ordem mundial, e não havia grandes campanhas de conscientização sobre a doença. Diante desse parâmetro social, Madonna surge mais sensual do que nunca, falando abertamente sobre o sexo, ensinando como praticá-lo em um livro totalmente voltado para fantasias sexuais, e de um filme essencialmente erótico. A sociedade e a crítica reprovaram o trabalho de Madonna, piamente. O lançamento da trilogia CD-livro-filme foi um escândalo.

O disco começa com a estonteante “Erotica”, música em que a cantora incorpora a protagonista do livro “Sex”, Dita, falando sobre relações sexuais das quais já participou. O videoclipe foi banido pela MTV e a canção proibida de sequer tocar nas rádios, em decorrência da pesada letra que continha. Mesmo sendo tão repudiada, a canção é um dos grandes marcos da carreira de Madonna, e o maior destaque do álbum, sem sombra de dúvida. Quem comprou o álbum na época já pôde perceber, a partir da primeira faixa, que Madonna estava diferente em relação à sonoridade e estilo de suas músicas. O álbum “Erotica” é também caracterizado por ritmos mais dançantes, intimistas, com leves referências ao hip hop e soul music.

Há também outras músicas que merecem serem citadas. Uma delas é a regravação de “Fever”, originalmente cantada por Peggy Lee e já regravada também por Elvis Presley. Essa faixa é uma das mais divertidas do CD e, no entanto, não virou single em todos os países, apenas em alguns, incluindo Brasil. “Bye Bye Baby”, do mesmo modo, virou música de trabalho apenas em alguns países, e fez muito sucesso pelo seu refrão aguçado e marcante, numa melodia animada e dançante. O clipe dessa canção foi retirado de um show de Madonna, na turnê “The Girlie Show”.

“Deeper and Deeper” foi tocada em muitas baladas e festas noturnas mundo afora. Isto em decorrência do ritmo, da letra, altamente apropriados para o ambiente de festas adolescentes que se estendem após a hora de dormir. O videoclipe da música, inclusive, leva Madonna a uma dessas festas, onde ela encarna um DJ. Interessante ressaltar que “Deeper and Deeper” possui um fundinho musical de um dos maiores sucessos da cantora: “Vogue”, assim como aconteceu com o mais recente sucesso de Madonna, “Hung Up”, que utilzou um sample da música “Gimme Gimme” do Abba.

Uma outra canção que fez grande sucesso foi “Bad Girl”. A música é uma das faixas mais tristes de todo o CD, mostrando uma Madonna sensível, amorosa, receosa de magoar o homem que a amava. E, em decorrência disso, desse medo aparente, ela o deixa, como modo de preservá-lo de qualquer sofrimento. O videoclipe marcou a carreira da cantora pela extrema sensibilidade que ele expressou. Para se ter uma idéia, Madonna morre ao final do clipe.

E, como não poderia deixar de acontecer, Madonna também lançou o single para “Rain”, décima faixa do álbum, que nada mais é do que uma boa baladinha romântica para os casais e/ou solteiros apaixonados.

“Erotica” balançou a crítica e foi retalhado por ela, mas isso tem explicações: Madonna mudou de estilo, tornou-se ainda mais polêmica – o que não agradou à sociedade como um todo – mas, ainda assim, mesmo com tantos contras, incluindo a rejeição comercial do álbum, a cantora se saiu bem, vendendo cerca de 2 milhões de cópias do CD somente nos Estados Unidos, o que lhe rendeu um multi-platina. O trabalho também reflete a mudança de produtores do disco. Para a composição de “Erotica”, Madonna chamou Shep Pettibone e André Betts.


*Fotos retiradas dos sites www.units.muohio.edu e www.dullneon.com

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