sábado, outubro 22, 2005

 

Serenata Noturna


A “Pequena Música Noturna”, de Wolfgang Amadeus Mozart, já é demasiadamente conhecida. Todos já a ouviram uma vez na vida, pelo menos. Já foi utilizada em filmes, peças publicitárias, peças teatrais, e cansativamente vendida em forma de compilações de revistas e jornais, como forma de acesso à cultura erudita visando à acumulação de capital – o lucro.

Mas, ao perguntar da história decorrente da composição da “Pequena Música Noturna”, ninguém sabe responder, salvo raríssimas exceções. Comum é ter como resposta a seguinte afirmação: “Ah, é aquela música que toca naquele comercial de sabonete, não é?”. Pois é, isto é conseqüência direta da difusão de um clássico nos meios de comunicação, sem que através dele seja explicitado a cultura propriamente dita, que compreende, além da música, a história e forma como foi composta.

Bom, então vamos lá. Wolfgang Amadeus Mozart foi um grande compositor de cortes e reis durante o século XVIII. Mesmo sendo absolutamente reconhecido pela sua genialidade musical e vivendo em meio aos grandes homens daquela época, Mozart bebia muito, não tinha um senso de responsabilidade muito aguçado e, além de tudo, era esbanjador. Gastava o dinheiro que não tinha.

Mas isso não o reduz sua obra, em aspecto algum. Seu trabalho se imortalizou após uma morte na pobreza e na solidão do abandono familiar. Entre todas as sinfonias com as quais presenteou a humanidade estão as conhecidíssimas “Sinfonia Nº 40”, “As Bodas de Fígaro” e “A Pequena Música Noturna”, esta última a que vamos discutir aqui.

Composta em Viena no ano de 1787, “A Pequena Música Noturna” foi uma das obras mozartzianas mais importante e que mais geraram êxtase na corte italiana. A estrutura musical da serenata – como é classificada, por ser uma música própria de execução ao ar livre, com cinco movimentos incluindo um minueto com trio, intercalado com o allegro e o andante - tem uma forte base nos instrumentos de cordas, o que dá mais sagacidade à composição. É justamente o chorus reforçado nas cordas que permanecem gravados nas mentes das pessoas que já a ouviram alguma vez na vida. Estruturalmente falando, a serenata da composição de Mozart é apresentada em um quarteto de cordas com o reforço de baixos nos contrabaixos. A disposição de instrumentos para a execução de “A Pequena Música Noturna” pedem dois violinos, uma viola, um violoncelo e um contrabaixo.

O caráter galante da serenata de Mozart é comumente caracterizada como vigorosa nos pontos em que os violinos ganham o primeiro plano da composição com o reforço dos contrabaixos. Mas, ao mesmo tempo em que o vigor impera, há momentos solenes, como no breve minueto de trio que seguem em um dos cinco movimentos que caracterizam toda a “A Pequena Música Noturna”.

O interessante, no entanto, é uma característica própria de Mozart que é facilmente assimilada nesta serenata. Ele misturou a alegria do popular e a urbanidade burguesa nas partituras elaboradas em 1787. Alguns reis, no início, não eram muito favoráveis à utilização de temas populares em concertos próprios da corte. Consideravam que a vulgaridade do povo utilizado em peças como essas era um desacato às autoridades absolutistas do século XVIII. Contudo, Mozart conseguiu, por diversas vezes, fazer valer o seu talento, na mistura que propunha em composições como essa.

“A Pequena Música Noturna” foi um dos últimos grandes sucessos do compositor, que faleceu quatro anos depois, em 1791, com apenas 35 anos.

*Imagem retirada do site Mythen Post.

sábado, outubro 15, 2005

 

“São tantas batalhas perdidas, em tantas intrigas verbais....”

O último Cd da banda maranhense Tribo de Jah, In Version, foi gravado nos Alpes suíços durante a turnê pela Europa. Na agenda, a Tribo se apresentou na praia mais badalada de Portugal, Albufeira, na região do Algarve português. Na Itália, participou do festival Rototom Sunsplash, em que o show foi filmado por uma equipe de tv italiana para possível lançamento no mercado local. No extremo leste da Itália ainda se presentaram na cidade de Trieste, em mais um festival, Samberfest, que reuniu desde crianças até os casais mais apaixonados.

A história da banda de São Luís, a “Jamaica brasileira”, iniciou-se na Escola de Cegos do Maranhão, onde se conheceram os quatro músicos cegos e um quinto músico com visão parcial (apenas em um olho). Os músicos começaram a desenvolver o gosto pela música improvisando instrumentos e descobrindo timbres e acordes. Posteriormente passaram a realizar shows nos bailes populares da capital e outras cidades do interior do estado fazendo covers de seresta, reggae e lambada. Foi neste momento que surgiu o radialista Fauzi Beydoun, nascido em São Paulo, filho de italianos com libaneses, que já havia morado quatro anos na Costa do Marfim (África), grande aficionado pela cultura reggae a qual era efervescente em São Luis nos anos 80, e que se tornou um fenômeno quase inexplicável nas terras brasileiras do Maranhão, invadindo inicialmente os guetos para depois tomar toda cidade. De forma independente a Tribo de Jah foi fazendo shows e divulgando seus discos, hoje conta com uma gravadora e uma distribuição a nível nacional. A Tribo deu a partida para difundir o seu reggae com suas mensagens de amor e paz, políticas sociais e divinas, as quais afastaram das grandes gravadoras, as rádios não tocavam, a TV tão pouco informava e os jornais faziam vistas grossas.

A banda composta por Fauzi Beydoun (, Vocalista, Compositor e Guitarra base), Frazão (Tecladista), Zé Orlando (Vocalista e percussão), Aquiles Rabelo (Baixista), João Rodrigues (Baterista), Neto (Guitarra-solo) interpreta suas próprias músicas, mas sempre conta com versões de grandes nomes do reggae mundial, como Bob Marley, em que os maranhenses transformaram War para Guerra, Santeria, do Sublime, que foi transformado em Uma onda que passou e eu não dropei e a nacional Azul, que ficou conhecida na voz de Tim Maia. Para muitos o som da Tribo de Jah está entre os melhores do reggae roots da atualidade, devido à interpretação dos músicos e as composições. O fato é que ao ouvir Tribo de Jah, principalmente sabendo da história da banda, qualquer um fica impressionado...

TEXTO DE TATIANE SALVÁTICO

sábado, outubro 08, 2005

 

Diversidade Musical



O ano de 2005 está sendo marcado pelos grandes festivais de música com artistas internacionais que estão vindo para o Brasil. Só neste ano já vieram: Placebo no Claro Q É Rock em abril, Weezer no Curitiba Rock Festival e também mais recentemente em setembro, o músico e DJ americano Moby. Sempre com um discurso político, o músico passou por São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O Estúdio Musical não falará do show, mas sim do álbum de maior prestígio da carreira de Moby, o 18 que foi lançado em 2002 pela gravadora Virgin e a EMI.

O álbum 18, assim como o próprio nome sugere, contém dezoito faixas com participações de diversos cantores como a irlandesa Sinnead O’Connor, por exemplo, e até do coral gospel “The Shining Light Gospel Choir”. É um álbum bastante rico, criado basicamente sob influência do blues e da música gospel, mas sem fugir do ritmo techno.

A primeira faixa, We Are Made of Stars é a mais conhecida do álbum. O próprio Moby queria que essa música soasse como Girls and Boys do Blur, mas tomou outra proporção e funcionou muito bem. Essa música foi composta logo após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, que é também a data de aniversário do Moby. A música contém ecos da voz de David Bowie.
A segunda faixa, In This World possui vocais sampleados e com bela performance vocal de Jennifer Price. A terceira faixa, In My Heart, parece continuação da segunda faixa e também possui vocal sampleado. De acordo com o DJ, todos os vocais foram gravados em ambientes estranhos e diversos, e por fazerem parte de um único disco teria um resultado bastante “excitante”. A quarta faixa, Great Escape foi interpretada e escrita por Orenda e Marie, de Azure Ray que mandaram uma fita demo para Moby e ele adorou.
A quinta faixa, Signs of Love, com certeza é uma das mais melancólicas do CD. Nas próprias palavras do artista, a canção seria “um testamento para uma baixa estima patológica, a qual tenho bastante.”
As músicas One of These Mornings, Another Woman e Sleep Alone são mais as mais introspectivas do disco e a Fireworks tem apenas dois minutos e meio, sendo o título uma homenagem a um dos filmes favoritos de Moby.
Extreme Ways é considerada pelo artista uma canção autobiográfica, mas fictícia ao mesmo tempo. Moby explica melhor a música: “É sobre degeneração e libertinagem e as razões que levam uma pessoa a agir assim, além de suas prováveis conseqüências.”

Jam for the Ladies é uma faixa que chama a atenção, pois é totalmente diferente do restante das músicas do álbum, com participações da cantora Angie Stone e a rapper MC Lyte. A música Sunday The Day Before My Birthday não foi composta perto do aniversário de Moby (11 de setembro), mas descreve perfeitamente a véspera do aniversário dele. Já a faixa que dá nome ao disco, 18 foi composta durante os Jogos Olímpicos e seria um tipo de saudosismo em relação ao final dos Jogos. Moby não deixou de colocar uma balada romântica no álbum e presenteou os fãs com a música At Least We Tried.

Do encontro com o agente da cantora irlandesa Sinead O’Connor saiu a confissão de que a cantora gostava do trabalho de Moby. O DJ lembrou da canção Harbour (escrita há 17 anos) e o convidou O’Connor para interpretá-la. Look Back In tem batidas em ritmo lento e The Rafters é parecida com aquelas músicas de corais de igreja com um órgão tocando ao fundo e um vocal feminino gospel.

Para fechar o álbum com chave de ouro, tem a balada soul contagiante I’m Not Worried At All interpretada pela vocalista do The Shining Light Gosple Choir.

Com certeza, Moby conseguiu mostrar no álbum 18 uma grande diversidade musical e sempre revolucionando a música eletrônica. É um álbum que vale a pena ter.


*Foto retirada do site Amazon.com Moby.com

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