sábado, fevereiro 18, 2006

 

Alguém chame a ambulância!


As angústias e neuroses humanas são os temas centrais do novo disco da banda de rock Placebo, intitulado Meds. Brian Molko, Stefan Olsdal e Steve Hewitt, integrantes da banda, uniram no novo disco uma coleção de protagonistas psicologicamente perturbados. Tudo isso unido à carga característica de androginia, no que é, certamente, o melhor álbum já gravado pela banda.

Meds é o quinto disco do grupo e o primeiro de canções inéditas desde Sleeping With Ghosts, de 2004. Para esse trabalho foi contratado o produtor musical francês Dimitri Tikovoi, que lançou um desafio ao grupo: gravar o novo disco como se fosse o primeiro da carreira deles, e a banda topou. Buscou-se então resgatar as características iniciais do Placebo, sem se utilizar tanto dos efeitos sonoros pré-produzidos pelos estúdios de gravação. A escolha do estúdio, inclusive, foi fruto do desafio que lhes foi proposto. O Placebo gravou Meds no Rak Studios, de Londres, que possui tecnologia modesta, o que exigiu uma performance ainda maior da banda na hora da gravação.

No inglês Meds é o diminutivo da palavra medicine, que significa remédio, medicamento. É também o nome da música de abertura do disco, que está intimamente ligada à imagem da capa do CD – uma mulher em estado de loucura. A canção em si retrata o desespero e a agonia humana, relacionando tal fato com a falta do uso extensivo de “remédios” – o que explica o título do disco. A primeira faixa do CD lembra, de longe, o sucesso Every You Every Me, de 1998, e conta, ainda, com a participação especial de VV, vocalista do The Kills, que faz uma bela parceria com o vocalista Brian Molko.


O disco é repleto de destaques. As canções alternam rock, batidas eletrônicas e baladas - estas últimas colocando em evidência o lado mais reflexivo do grupo. Entre as músicas que mais chamam a atenção estão Infra Red, Post Blue e One Of A Kind, que exaltam a mistura bem vinda de rock e música eletrônica; e Follow The Cops Back Home, Pierrot The Clown e Cold Light Of The Morning, que são lentas do início ao fim, remetendo-nos ao Placebo de 1998, do álbum Without You I’m Nothing.

Embora tratem de assuntos atuais e visíveis na sociedade, as letras das canções são, sob uma ótica conservadora, politicamente incorretas. São músicas que falam de decepções, da vergonha de ser ou de ter sido um dependente químico de drogas, das confusões próprias da juventude, do medo do erro, da necessidade de segurança, entre outras questões bastante próximas do público adolescente. Isso provavelmente explica a popularidade da banda entre os jovens de todo o mundo.

Para a primeira música de trabalho foi escolhida Because I Want You, que está longe de ser a canção mais memorável do disco. O clipe já foi gravado e logo em breve será exibido em canais especializados em música e também executado nas rádios brasileiras. O segundo single será da canção Song To Say Goodbye, que fala sobre a decepção das pessoas quando descobrem que os amigos próximos fizeram más escolhas em suas vidas. Brian Molko afirmou em entrevista para o site oficial da banda que Meds terá, pelo menos, cinco músicas trabalhadas com clipes e execuções exaustivas nas rádios de todo mundo. Os fãs só têm o que comemorar.

*Fotos retiradas dos sites Acores e Sonic Bands.

sábado, fevereiro 11, 2006

 

O triângulo amoroso do Garbage


Demorou para chegar, mas chegou. Depois de quatro anos sem produzir nada, a banda norte-americana Garbage lançou “Bleed Like Me”, o quarto álbum de estúdio do grupo. O novo disco tratou de sair do experimentalismo eletrônico, embora não o tenha abandonado, valorizando a atuação de guitarras e baterias em canções de caráter político. Um estilo diferente do que foi vestido até então pelo Garbage.

A receita foi a seguinte: de um lado, os efeitos e as batidas eletrônicas da mesa de produção; do outro, as guitarras e baterias em completo êxtase. Por fim, juntaram a isso as letras engajadas, politicamente corretas e liberais, que então deram forma e vida a “Bleed Like Me”. Este é o Garbage buscando as raízes da união entre rock e eletrônico, originado na década de 90.

A faixa que abre disco, “Bad Boyfriend’, já é, de cara, uma das melhores de todo o álbum. Valorizando-se do rock mais pesado e intimista, a canção possui um refrão grudento e um som contagiante que anima qualquer pessoa. O mesmo efeito se repete em “Right Between The Eyes” e “Why Do You Love Me”, que lembram o Garbage de “Version 2.0” (segundo disco da banda).

A música que dá nome ao álbum, “Bleed Like Me” não atende à receita geral de todo o disco. Trata-se de uma canção mais calma, até mesmo chata em alguns instantes, o que, no final das contas, até tem uma finalidade: dar uma pausa na violência das guitarras. E não pára por aí não: o mesmo se repete – infelizmente – em “It’s All Over But The Crying” e “Happy Home”. Esta última, a mesmo memorável de todo o disco.

De resto, temos a fúria das guitarras e a pancadaria das bateras mescladas a batidas eletrônicas. Em alguns momentos do disco, há exageros nas doses dessa receita, resultando em canções não tão boas, como é o caso “Run Baby Run”, “Boys Wanna Fight” e “Why You Don’t Come Over”.

O maior engajamento político do Garbage aparece nas faixas “Metal Heart” e “Sex Is Not The Enemy”, ambas contrárias aos desmandos do governo Bush. A primeira é anti-bélica, fazendo referência à Guerra do Iraque; a segunda, por sua vez, inspira a favor do liberalismo, como o direito à união legal entre homossexuais nos Estados Unidos.

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